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Obituário ao Amor

por O Gil, em 10.05.19

Ontem abri o jornal

E li sobre a morte

De alguém chamado Amor.

 

Nunca o conheci.

Sempre ouvi falar bem,

E o obituário longos elogios

Tecia a este estranho.

 

Lamento a sua morte.

Morte é sempre trágico,

Não a desejo a ninguém,

Muito menos aos imortais.

 

Não deixo, no entanto,

De permanecer um figurante

Na história em que o Amor

Foi a personagem principal.

 

Contaram-me uns detalhes,

Histórias belas e rosadas,

Que pouco me dizem

Por serem de um mundo paralelo.

Se pouco percebo deste mundo,

Nem sei que diga sobre os infinitos outros.

 

 

Nunca conheci o Amor.

Deve ter sido importante

Para tanto se falar dele.

 

Conheço-me a mim,

E pelo que li no jornal

Pouco tenho em comum

Com aquele a que chamam Amor.

 

Eu,

O Amor,

Seremos sempre estranhos.

Agora que morreu

Nada há a fazer.

Mais vale dizer adeus

À hipótese de o conhecer.

 

Há quem o chore,

Quem por ele peregrine,

Quem se suicide.

Eu aqui fico,

A ler o jornal.

 

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publicado às 22:34



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