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Atenção: este é o melhor artigo de autoajuda que irão ler, e não é treta. Trata-se, pois, de uma divagação filosófica que se debruça sobre a existência humana e o que fazer para que não seja um total desastre. A beleza da filosofia que acompanha este texto é que não necessita de fingir que conhece todas as preferências de todas as pessoas, todas as suas necessidades e ambições, e que atos empreender para as realizar. Não é uma filosofia fingidora nem hipócrita, como tantas outras que são populares hoje em dia; é uma observação racional da condição humana.

 

O individualismo suplanta facilmente os seus adversários coletivistas, identitários e generalistas por ser honesto e por se focar na única coisa discernível num mundo tão complexo. Embora não exista um abrangente significado da vida, apesar de não existir destino nem uma grande narrativa divina, aquilo que satisfaz o individuo é possível de descobrir. É um esforço laborioso, naturalmente, e talvez seja essa a única problemática que rodeia este pensamento – pode dar-se o acaso do individuo não possuir a capacidade introspetiva para descobrir o caminho que deve seguir. Mas, no fundo, pouco importa, pois, esse caminho existe e é apenas percorrendo esse trajeto que algo de verdadeiro se pode encontrar. Mesmo que o esforço seja em vão, o caminho permanece, e o individuo saberá sempre que o que quer que seja que no seu fim reside é verdadeiro; tudo o resto é um palpite insuficiente por parte de quem nada percebe sobre a sua condição.

 

No entanto, a prescrição de individualismo para a cura (ou tratamento) de crises existenciais deve ser avançada com extremo cuidado. Um pseudoconhecedor desse pensamento (habitualmente os que tanto o criticam) poderá cair na falácia de sugerir que o individuo se deve isolar do mundo, rejeitar o aspeto social da experiência humana, e abandonar todas as crenças e valores da sociedade. Nenhum proponente do individualismo apresentaria isso como a resposta universal para os problemas do ser humano. Na verdade, nenhum individualista coerente apresentaria respostas universais para a satisfação da existência pois saberia que não existem, excetuando esta: para cada um a sua resposta, e essa resposta pode advir apenas dele próprio. Este é o ponto chave da filosofia conhecida como individualismo, tão ostracizada por aqueles que fundamentalmente não desejam a liberação do individuo, e que eu pretendo publicitar neste texto, com a expectativa de auxiliar alguém na sua jornada de descoberta interior (sem a bagagem pseudocientífica, supersticiosa e religiosa, se faz favor).  

 

O ponto de partida é reconhecer que antes de fazermos parte de uma comunidade, do dito coletivo, somos um ponto singular denominado ser humano. O passo seguinte é admitir a nossa natureza egoísta, e que mesmo os atos moralmente corretos ou de auxílio a outrem são, na sua génese, levados a cabo por motivos egoístas (satisfação de uma vontade, objetivo, ou narrativa interior). Desta forma, o altruísmo descarta-se a priori. O terceiro passo é aceitar a inevitável responsabilidade que acompanha a existência; a responsabilidade de delinearmos o nosso caminho na vida e que os outros indivíduos nada têm a ver com a nossa existência até ao ponto de interação. Adjacente a este passo, é a realização de que o nascimento de um novo ser não a permeia de uma divida a terceiros. Nada é devido nem nada se deve exigir até que as circunstâncias (voluntárias) assim o requeiram. O passo final é a jornada de encontrar aquilo que traz felicidade, ou melhor, satisfação própria ao individuo. É conveniente e aconselhável erradicar ideologias, pensamentos e valores filosoficamente incoerentes. Porém, logo aqui surge o erro comum de definir o caminho a outro que não o próprio. É possível que seja da satisfação própria de um individuo acreditar em algo inexistente como uma divindade e participar num credo religioso repleto de tradições, valores e conceitos logicamente incorretos. Cabe ao individuo tomar consciência dessa sua condição e decidir manter-se nesse caminho se for esse o que realiza o seu interesse interior. É importante realçar, a esta altura, que nenhuma quantidade de satisfação justifica a perpetração de atos moralmente incorretos, tal como qualquer ação que infrinja a liberdade de outrem. É o imperativo de uma sociedade funcional a manutenção da liberdade individual. Inexistente será a efetivação da satisfação própria de indivíduos que tenham o potencial de violar esse direito fundamental, pois apesar de infelizes ou insatisfeitos, manterão pelo menos a sua liberdade e a dos outros.

 

Compreender verdadeiramente o individualismo é admitir que, provavelmente, todos ou quase todos os indivíduos aceitarão fazer parte do coletivo, da comunidade, e que realizarão trocas comerciais que beneficiam todas as partes, por exemplo. A diferença é que o farão voluntária e conscientemente. É um facto que o ser humano é um animal social e que beneficia com a existência da comunidade, mas esse facto de forma nenhuma justifica ações coletivistas que silenciem a voz individualista. Mesmo cientes da prioridade da independência, certas pessoas que optem pelo coletivismo consciente ou inconscientemente poderão tentar persuadir o individuo a juntar-se a eles, e tal ato é muito perigoso. É expressamente errado o individuo ser obrigado ou coagido a integrar instituições ou coletivos, por muito feliz que o coletivo ou o ato de persuasão torne a outra pessoa (pelos motivos acima referidos). É apenas através do agregado dos indivíduos a prosseguirem o seu caminho pessoal de realização individual que a melhor sociedade pode ser criada. 

 

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publicado às 20:28



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