Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Pátio de Sonhos

por O Gil, em 10.05.19

Lembro-me de um sítio

Tão enterrado na memória

Que se confunde com um sonho.

 

Quando os anos passam

A vida escapa do corpo,

Mas os sítios ficam na memória,

E as memórias ficam nos sítios.

 

Podia morrer amanhã

Ou agora mesmo

E o vulto da minha existência

Naquele sítio ficaria.

 

Ficaria eu,

E aqueles com quem estava.

Seriamos fantasmas

Que afugentavam os medos,

Que afastavam o esquecimento

Dos momentos naquele sítio passados.

 

Pior que morrer

Seria esquecer

O significado da felicidade,

Da vida,

Que no sítio encontrei.

 

 

Parece absurdo,

Irracional e insensato

Atribuir a um só local

Tanto peso na definição da realidade.


A verdade é que os sítios

São tão protagonistas

Na descoberta da verdade como nós

Que os usamos para o significado atingir.

 

O sítio era um pátio,

Uma abertura perante o universo,

Um coliseu de almas amigas

Que dançavam sem direção,

Encontrando o sentido entre si.

 

O sítio é um sítio,

É uma memória,

Até o tempo o corroer

E a morte me apagar.

Mas mesmo assim,

Creio contra toda a razão

E inteligência do meu ser,

Porque quero crer em algo mais sobre a magia das coisas que me são queridas,

Que pelo menos nos átomos da sua

Poeira erodida,

A verdade que descobrimos nunca ficará perdida.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:36


A Banda Sonora da Vida

por O Gil, em 10.05.19

Estou sempre em todo o lado,

Nunca num só sítio.

 

Em qualquer estrada,

Vasto oceano

Ou infinito céu,

A paisagem não é o horizonte

Em que mergulho e me perco

Que apenas existe além do que vejo.

 

Estou sempre em todo o lado,

Nunca num só sítio,

Onde quer que os olhos

Da minha mente me transportem

Ao som da banda sonora da minha vida.

 

É mais que música,

É um portal para onde quero estar,

Uma janela para o que quero ver,

Um espelho para quem quero ser.

 

Se não fosse pela música,

A banda sonora da minha vida,

Estaria sempre apenas num sítio,

Querendo estar em todos que não esse.

 

Com música,

Estou em casa na vida.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:35


Obituário ao Amor

por O Gil, em 10.05.19

Ontem abri o jornal

E li sobre a morte

De alguém chamado Amor.

 

Nunca o conheci.

Sempre ouvi falar bem,

E o obituário longos elogios

Tecia a este estranho.

 

Lamento a sua morte.

Morte é sempre trágico,

Não a desejo a ninguém,

Muito menos aos imortais.

 

Não deixo, no entanto,

De permanecer um figurante

Na história em que o Amor

Foi a personagem principal.

 

Contaram-me uns detalhes,

Histórias belas e rosadas,

Que pouco me dizem

Por serem de um mundo paralelo.

Se pouco percebo deste mundo,

Nem sei que diga sobre os infinitos outros.

 

 

Nunca conheci o Amor.

Deve ter sido importante

Para tanto se falar dele.

 

Conheço-me a mim,

E pelo que li no jornal

Pouco tenho em comum

Com aquele a que chamam Amor.

 

Eu,

O Amor,

Seremos sempre estranhos.

Agora que morreu

Nada há a fazer.

Mais vale dizer adeus

À hipótese de o conhecer.

 

Há quem o chore,

Quem por ele peregrine,

Quem se suicide.

Eu aqui fico,

A ler o jornal.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:34


Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D


Pesquisar

  Pesquisar no Blog