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Há uma trivialidade que me atormenta. A de ser uma pessoa. Pode parecer infinitamente complexo ser uma pessoa, deter em nós uma parafernália biológica inimaginável resultante de eras de processos físicos incompreensíveis. Pode parecer muito elaborada a forma como pensamos, como imaginamos, até como amamos. Mas no fim, é tudo trivial. Não porque o é intrinsecamente, nada é alguma coisa intrinsecamente. Eu e todas as pessoas somos triviais porque assim o escolhemos.

 

Somos triviais quando nos deitamos na pradaria e contemplamos o universo e apenas vemos nas estrelas um reflexo das nossas ilusões pessoais e vontades egoístas. Somos triviais quando ouvimos uma peça de música e não somos capazes de nos deixar envolver pelo abraço eterno do seu significado, ficando satisfeitos com o ténue aroma superficial. Somos triviais quando amamos pela reciprocidade e não da forma natural que é suportar a força bruta da inevitabilidade sentimental. Somos triviais pois escolhemos ser.

 

É difícil dizer se é possível ser outra coisa. Parte de mim tem uma ambição nata em ser algo mais que o denominador mais baixo da sociedade. Mas o resto de mim está estabelecido com raízes profundas na rotina de ser trivial. Embora compreenda a dimensão do que me escapa e da superficialidade do que absorvo, e embora tente transcender o limite da minha ingenuidade, nada além do mais insignificante me é possível apreender.

 

Julgo estar resignado a uma indomável natureza psicológica chamada normalidade, uma abstração apenas real para os mais banais, mas que insiste em se espalhar como uma virulenta infeção até aqueles que ainda são livres do seu sufoco. Espero sinceramente que os valerosos anormais lhe escapem, pois, o pouco que resta de esperança para os ideais do intelecto reside neles e no seu intuito para pensar.

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publicado às 03:36


6 comentários

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De PP a 11.07.2017 às 22:50

Creio que, na generalidade, somos triviais, porque o somos. Não por uma questão de escolha. Hã quem não chegue ao domínio do trivial!
Abraço.
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De O Gil a 12.07.2017 às 01:33

Até diria que somos triviais porque nos imaginámos sempre acima do que somos realmente. É tudo uma questão de expectativas. Abraço!
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De frasesemcompromisso a 18.07.2017 às 23:58

Trivial, mas abraçando a música e a literatura. Existem áreas nas quais eu não sou trivial, sou inimaginável. Obrigada pela visita ao blog. Um abraço da Nina, personagem do blog frase sem compromisso.
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De O Gil a 19.07.2017 às 00:18

Felizmente o texto não é completamente real, e nenhum de nós é assim tão trivial. Mas há um risco, e uma tendência de acontecer. Há que contrariar tais tendências.
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De naomedeemouvidos a 24.07.2017 às 14:17

O "trivial", de trivial não tem nada...
Gostei!
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De O Gil a 24.07.2017 às 16:13

Fico satisfeito por saber, e obrigado pelo feedback!

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