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Traição, calúnia, assassinato social. Crimes para alguns. Para mim, no entanto, que sou uma besta pérfida, é apenas uma das guias da minha moralidade provinciana. Palavras e jogos mentais são as minhas adagas, e são estes os que cortam mais fundo.

Neste poço sujo em que vivo, onde caminho descalço e de pés atulhados no esterco, resta-me muito pouco para além de difamar. Com a ausência de inteligência e de atividade mais pertinente, reduzo-me às práticas de porco social; um político idiota entre os amigos que destrono e devoro por insanidade cerebral. Insanidade cerebral não é a melhor expressão, pois parto do principio que possuo alguma espécie de massa cinzenta capaz de processamento nervoso. Eu não. Não, não, não ! Eu sou uma pérola amorfa e acéfala da humanidade. Aliás ! Pode dizer-se que eu sou.. a humanidade ! Pode dizer-se.. que sou a representação mental do ser humano em forma física. Sou a personificação perfeita do homem.

Para expandir a situação além do reino teórico, vou discursar brevemente sobre uma situação particularmente degradante perpetuada pela minha insensível pessoa.

À cerca de dois dias, após uma refeição preenchida e revigorante, ocorreu-me a brilhante ideia de caminhar pelo parque Eduardo VII sob o efeito da melhor cocaína. Sim, porque além de sociopata narcisista sou também um ávido consumidor de substâncias ilícitas. Mas apenas as mais ilícitas. Tudo isto com intenção de ser abertamente hipócrita. Se existe uma atividade que desfruto praticar é a de ser hipócrita. Mais especificamente, nesta situação, julgar prostitutas pelos seus níveis éticos inferiores e as suas ações condenáveis de um ponto de vista religioso. É um passatempo que adquiri na minha infância no profundo Alentejo.

O Alentejo é geralmente conhecido pela comunidade provinciana como a sua Utopia. Pessoalmente, considero um bom sitio para aprender e iniciar os atos de julgamento, no entanto, com o passar dos anos, comecei a sentir-me sufocado. Comecei a sentir que só havia uma pequena quantidade de pessoas e uma ainda menor variedade de valores inovadores que podia criticar, e para resolver esta crise de identidade, ingressei na Universidade da Vida de Lisboa, na cidade onde considerei que podia dar verdadeiro uso aos meus talentos retrógados; um sítio onde podia ser eu próprio.

 

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publicado às 17:58


2 comentários

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De Anónimo a 11.01.2016 às 14:09

This has something that inspires! Amazing
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De O Gil a 11.01.2016 às 17:15

Thank you :)

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