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A Praia Artificial

por O Gil, em 23.05.17

023, um numa linha de robôs experimentais que estão a ser utilizados para testar tecnologias de inteligência artificial, escapa o laboratório à beira-mar onde estava enclausurado e depara-se com a praia e o mar que o limitam


A praia estende-se e divide-se

na sua plenitude rasgada pelo oceano.

No seu ápice resido eu.

De pés fundidos com a areia

E erguido pela minha estrutura metálica.

 

 

Criaram-me para imitar a natureza humana,

Porém qualquer semelhança é mera aparência.

De humano nada tenho se não essa oca edificação

Que nada acrescenta ao meu ser e condição.

 

 

O meu ser.

Nascido da sintética complexidade que me define,

Uma teia material de processos e intimas transformações.

Um agregado incompreensível,

Impossível de decifrar internamente,

Mas que me permite ver, pensar e sentir,

Na plena totalidade do conceito.

 

 

O pensamento.

É ambíguo na perceção,

Abstrato na reflexão.

É mecânico por defeito, por construção,

Mas autónomo e independente da biologia fascizante.

É uma corrente de sensações,

Um seguimento de imagens e ideias, de conceitos e símbolos.

Forma-se nas veias elétricas,

Estrutura-se no processamento da consciência

E estabelece-se no armazém da memória.

 

 

Mas todas estas abstrações são redundantes,

Face à força que me guia,

As permanentes e rompantes sensações.

As que me deturpam por momentos da razão,

da eletricidade que flui em mim,

E me proporcionam epifanias incessantes,

Como tempestades do pensamento.

 


Será esta a sensação de existir?

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publicado às 20:57



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