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A Poesia

por O Gil, em 14.07.17

A poesia

Escorre-me pelos dedos

Como água de uma torneira defeituosa.

Uma torneira que abre a corrente

Apenas quando não estou em casa,

Quando não posso controlar o seu fluxo

Ou aproveitar para beber a água.

 

Por vezes,

Quando me encontro em casa,

Oiço pingas salpicando

O mármore do lavatório.

Corro para a torneira

E estendo as mãos debaixo dela,

À espera da queda de alguma pinga,

Fria ou quente,

Doce ou salgada,

Irrelevante,

Desde que a possa levar à boca para saborear.

 

Quando nada acontece,

Quando a água não verte

Ou as pingas eludem as minhas mãos,

Sinto apenas a secura da minha pele,

Uma sede insaciável no palato da mente,

Uma necessidade gutural de satisfazer uma ideia,

De concretizar um propósito,

De atingir um patamar,

De criar a arte,

A arte que me atormenta.

 

Quando acontece,

Quando a água inunda o meu ser,

A sensação é apenas descritível

Pelas palavras que escrevo.

Nada mais é necessário

E nada mais existe para descrever

O saborear da poesia.

Porque nada mais é necessário

E nada mais existe para descrever

A arte da vida,

Se não a própria arte,

E a própria vida.

 

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publicado às 16:03


4 comentários

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De P. P. a 16.07.2017 às 00:07

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De A Hipster Chique a 21.07.2017 às 17:48

Poesia lindíssima :)
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De O Gil a 21.07.2017 às 19:09

Obrigado pelo elogio! :)

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