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A Carne Constituinte

por O Gil, em 21.10.16

 

A totalidade de um ser pode ser entendida

através da soma das suas partes individuais.

Duas pernas,

dois braços,

uma cabeça,

um orgão genital

e até um baço.

Também se pode discutir que este ser

tem dimensões psicológicas dentro

de cada parte,

para se concluir que

não é apenas um saco de carne com

ideologias no epicentro.

Pode-se ainda debater a existência

concreta deste ser exteriormente

à cúpula paradigmática do observador

que o estuda incansavelmente.

Mas ao erguermos todas estas questões

mergulhamos num poço de argumentação cíclica,

onde não nos é permitido afirmar que nada é

sem admitir que em simultâneo também não é.

Coloca-se assim uma charada enigmática

sem solução em todos os aspetos físicos e metafísicos

da realidade sem ter em vista uma solução prática.

Enquanto narrador de paradoxos sinto

necessidade de expressar o meu ódio visceral pela realidade,

e sei, como é óbvio, que a minha opinião não é imparcial.

Contudo, compreendo,

embora por vezes relutantemente,

que sofro de ausência da apropriada constituição

para escapar livremente à contenção do mundo.

Não sou nem especial nem único,

tão pouco transcendente,

para ser suficientemente diferente

de todos os outros que, como eu,

por muito que sufoquem num poço

da sua própria inescapável natureza,

não conseguem fugir à ironia

da mentira de sobreviver à vida.

 

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publicado às 21:07



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