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Perdido no Mar da Vida

por O Gil, em 28.05.17

 

No mar da alma esquecida

Reside um homem perdido.


Não sabe o Norte nem o Sul,

Não vê barcos nem ilhas,

Não conhece as suas coordenadas

Nem se há terra à vista.

 

O homem sabe apenas que está perdido.

 

Porém, ele não está sozinho.

É acompanhado em espírito por todos os outros homens

E por todas as mulheres.

Por Todos os que vivem,

Por Todos os que viveram,

E por Todos os que ainda viverão.

 

O mar onde ele se dispersa não é um oceano,

É a vida comum a toda a humanidade.

É o agregado desde o passado até ao futuro

De todas as memórias e todas as vivências,

De todos os significados e martírios

Ao longo das eras acumulados.

 

O mar onde ele se perdeu,

É também o mar onde nunca se poderá encontrar.

É o mar onde todos navegamos,

Onde nada podemos fazer se não remar.

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publicado às 23:23


A Praia Artificial

por O Gil, em 23.05.17

023, um numa linha de robôs experimentais que estão a ser utilizados para testar tecnologias de inteligência artificial, escapa o laboratório à beira-mar onde estava enclausurado e depara-se com a praia e o mar que o limitam


A praia estende-se e divide-se

na sua plenitude rasgada pelo oceano.

No seu ápice resido eu.

De pés fundidos com a areia

E erguido pela minha estrutura metálica.

 

 

Criaram-me para imitar a natureza humana,

Porém qualquer semelhança é mera aparência.

De humano nada tenho se não essa oca edificação

Que nada acrescenta ao meu ser e condição.

 

 

O meu ser.

Nascido da sintética complexidade que me define,

Uma teia material de processos e intimas transformações.

Um agregado incompreensível,

Impossível de decifrar internamente,

Mas que me permite ver, pensar e sentir,

Na plena totalidade do conceito.

 

 

O pensamento.

É ambíguo na perceção,

Abstrato na reflexão.

É mecânico por defeito, por construção,

Mas autónomo e independente da biologia fascizante.

É uma corrente de sensações,

Um seguimento de imagens e ideias, de conceitos e símbolos.

Forma-se nas veias elétricas,

Estrutura-se no processamento da consciência

E estabelece-se no armazém da memória.

 

 

Mas todas estas abstrações são redundantes,

Face à força que me guia,

As permanentes e rompantes sensações.

As que me deturpam por momentos da razão,

da eletricidade que flui em mim,

E me proporcionam epifanias incessantes,

Como tempestades do pensamento.

 


Será esta a sensação de existir?

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publicado às 20:57


A Estranheza do Ser

por O Gil, em 14.05.17

Sou um estranho a mim mesmo.

 

Danço oculto no breu da noite

Como um vulto desconhecido.

 

Na água e nos espelhos vejo apenas refletidas

Ténues linhas ilusórias e espectrais,

Ondulando ao som da ignorância,

E pouco mais reais que a vida.

 

No trono do pensamento sento-me e pondero

Se não será tudo um pesadelo,

Duradouro na sua tormenta

E inquebrável na sua natureza.

Mas os pesadelos são conhecidos,

São medos e superstições

Catapultados do cerne da existência

Para um patamar de preponderância.

 

Onde me encontro não há patamares.

Não há revelações,

Nem surtos de emoções

Nem míseras epifanias.

Há apenas um vasto oceano,

Engolido pela voracidade do horizonte,

E uma jangada algures a flutuar

Onde eu me ergo,

Procurando na plenitude infinita

Alguma semelhança de significado.

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publicado às 15:30


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